sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A morte devagar

Hoje havia programado a postagem que publiquei mais cedo, mas não poderia de postar também uma crônica da Martha Medeiros aos que se permitem lentamente, "enviuvar-se de si mesmo".
Confesso que tive dificuldade ao pesquisá-lo pois existem algumas "versões", inclusive atribuídas falsamente a Pablo Neruda. Enfim, compartilho a idéia!



 

Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos.
Quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is”
em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente
quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.

Morre lentamente
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço
muito maior que o simples fato de respirar.


Martha Medeiros

Abraço saudoso aos que souberam viver plenamente!
Adriana Monteiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário