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O estresse é uma reação natural do organismo frente a situações que nos demandem adaptação, sejam muito difíceis ou muito excitantes, desta forma acontece também em crianças independente de sexo ou idade. Assim como nos adultos, o estresse em excesso tem conseqüências desastrosas, não podendo, portanto, ser desprezado.
Negar o estresse infantil é negar a possibilidade de tratamento adequado. Desde que nascemos somos submetidos a situações geradoras de tensão como fome, frio excessivo, doenças, falta de cuidados, superproteção, mortes na família, más professoras, brigas familiares, pais neuróticos, mudanças, nascimento de irmãos. Essas situações de forma recorrente acabam por desencadear o estresse infantil, contribuindo para enfraquecer um organismo ainda imaturo e jovem.
O mundo tem cobrado cada vez mais respostas rápidas, bem como uma necessidade sobrenatural de acúmulos de informações. Para atender a essa demanda e necessidade de desenvolvimento global, quem sofre é a estrutura familiar, onde cada vez mais os pais têm cada vez menos tempo para dedicar-se aos filhos. Esses fatos cotidianos, geradores de ansiedade até para os adultos, acabam por provocar estresse nas crianças, desencadeando conseqüências tanto na esfera pedagógica como na esfera somática.
Na tentativa de suprir a ausência, minimizando os efeitos da autocobrança e culpas, os pais acabam por proporcionar às crianças, muitas vezes de forma precoce, as interações com o meio ambiente extrafamiliar. Pensando no futuro dos filhos, acabam por preencher integralmente os horários do dia.
È fato que as atividades extras ajudam a promover a socialização e desenvolvimento de habilidades físicas e cognitivas; porém não se pode negar que introduz a criança desde cedo as exigências naturais a uma vida adulta. O cenário infantil tem sido decorado cada vez mais de excesso de responsabilidades, pressa, competitividade e uma corrida desenfreada por desenvolver múltiplas competências. Não muito diferente do “mundo adulto moderno” recheado de falta de tempo, ausência de interação familiar e excesso de autocobranças, ansiedade e estresse.
Com tantas responsabilidades a cumprir, não resta tempo para o momento presente, para o “hoje”, tão imprescindível e irretornável! Na escala de prioridades o meio de construção de identidade e aprendizagem natural infantil: o brincar perde seu grau de importância. Não sobra tempo para ser criança! Essas responsabilidades e cobranças são muito pesadas e forçam os pequenos a recorrerem repetidamente às reservas de energia de adaptação gerando o estresse.
Estresse também é coisa de criança, infelizmente! E não dá mais para ignorar os danos causados por este mal. É de fundamental importância buscar um equilíbrio entre as demandas e os recursos internos infantis. Como não existe uma medida única, é necessário estar atento se as situações as quais as crianças estão sendo submetidas estão coerentes com sua habilidade, maturidade, estágio de desenvolvimento e nível de resistência.
O diagnóstico nem sempre é tão claro, pois os sintomas físicos e psicológicos que compõe o estresse se confundem, uma boa referência são as mudanças de comportamentos. Identificar os indícios é importante, mas torna-se imprescindível tratar o estresse em sua origem. Quando se trabalha a causa, além dos sintomas, o estado de tensão é minimizado, ensinando a criança a lidar com as demandas da vida, fortalecendo-a diante da vulnerabilidade ao estresse. Quando o estresse é tratado adequadamente, a criança – bem como o adulto – pode desenvolver meios para lidar com as tensões e os desafios de modo produtivo.
Adriana Monteiro
O que estamos fazendo com nossas crianças? Pensem nisto!

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